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Sábado, Janeiro 29, 2005


O Tambor

"Ao trucidar com meu canto as vidraças das janelas do saguão do Teatro Municipal, procurava eu, e estabeleci pela primeira vez, contato com a arte cênica. Apesar das solicitações do vendedor de brinquedos Markus, mamãe teve sem dúvida de se dar conta da relação direta que me unia ao teatro, porque, ao se aproximar o Natal seguinte, comprou quatro entradas, para ela, para Stephan e Marga Bronski e também para Oskar, e no último domingo de Advento nos levou os três à função infantil. Estávamos na primeira fila do balcão simples. O soberbo lustre, dependurado sobre a platéia, dava o melhor de si. Alegrei-me de não tê-lo reduzido a pó com o meu canto do alto da Torre da Cidade".

O Tambor, de Gunter Grass


Sexta-feira, Janeiro 28, 2005


Um lugar

Todo mundo falando em viagem e mudança e coisas do gênero esta semana. Um amigo vai para Recife, uma colega acabou de chegar em Brasília, outro amigo querendo voltar para João Pessoa, muita gente pensando em sair de lá. Gente que se mudou para o Rio de Janeiro, gente querendo voltar para São Paulo. Todo mundo planejando passar o carnaval em algum lugar.
Eu também quero, não sei que lugar ainda, mas também não quero permanecer parada muito tempo. Viajar para região norte, que ainda não conheço. Me mudar para o Sul. São planos. Voltar pra Sampa, não agora. Fazer um curso e ir para outra cidade, não sei quando. Continuar a peregrinação pelo Brasil. Quem sabe pelo mundo. Sem pressa, mas com muita ansiedade. Sempre ansiosa. Por qualquer coisa nova.


Quinta-feira, Janeiro 27, 2005


Dores

Tenho dores o tempo todo. Percebo isso agora. Quando não são as mazelas emocionais, são as físicas. Uma dor de cabeça agora. Uma sinusite mal curada e um fígado que não vai bem das pernas. Muita tensão acumulada, a dor emocional. Trabalhar demais sem férias. Blá blá blás sem fim que me envolveram. Picuinhas de todo o tipo. Muita pressão. O estômago não aguentou e agora essa dor de cabeça. Um enjoozinho. Vai passar. Já estou bem melhor. O ruim é ver que já faz um ano que não estou cem porcento. Vou estar. Daqui a pouco. As emoções vão bem já. O corpo chega lá.


Quarta-feira, Janeiro 26, 2005


Para o André

"Os dias passam tão devagar e os anos tão depressa".
de A Pior Banda do Mundo, José Carlos Fernandes


Terça-feira, Janeiro 25, 2005


Hoje eu não quero


Imagem: Getty Images

Muito o que fazer e uma preguiça imensa...
Vontade de ficar assistindo sessão da tarde, Malhação, ficar na frente da TV olhando, sem perceber o que está acontecendo até anoitecer, chegar a madrugada e começar a passar Felicity. Só aí vou entender que isso já é demais, a vida precisa de mais. Mas só nesse momento, não agora.


Segunda-feira, Janeiro 24, 2005


Pra começar a semana

Uma imagem bonita


Francis Bacon. Study for Bullfight No. 1


Domingo, Janeiro 23, 2005


Desta vez um gibi, uma música, um livro e um filme

Antes de qualquer coisa: Cacilda, te vejo na banheira desta redenção poética. Cacilda, Cacilda, te encontro atrás de uma palmeira! (AB)

O Rei do Ponto

"Por mais que as embalagens de cigarro advirtam que o ministério da saúde adverte que fumar é prejudicial à saúde, foi justamente um cigarro que salvou a minha vida. E se isso não é uma piada, parece uma. A própria vida é um tipo de piada e é fácil saber quem não a entende, basta olhar para quem estiver rindo".

Diomedes, em O Rei do Ponto, de Lourenço Mutarelli.

All the Madmen

Day after day
They take some brain away
Then turn my face around
To the far side of town
And tell me that it's real
Then ask me how I feel

Here I stand, foot in hand, talking to my wall
I'm not quite right at all

Don't set me free, I'm as helpless as can be
My libido's split on me
Gimme some good 'ole lobotomy

'Cause I'd rather stay here
With all the madmen
Than perish with the sadmen
Roaming free
And I'd rather play here
With all the madmen
For I'm quite content
They're all as sane as me

Zane, Zane, Zane
Ouvre le Chien

All the madmen, de David Bowie.

Escute, Zé-Ninguém

"Você difere de um grande homem sob apenas um aspecto: o grande homem foi um dia um zé-ninguém, mas desenvolveu uma única qualidade importante. Reconheceu a pequenez e a estreiteza dos seus atos e pensamentos. Sob a pressão de alguma tarefa à qual atribuía grande significado, aprendeu a ver como sua pequenez, sua insignificância, punha em risco sua felicidade. Em outras palavras, um grande homem sabe quando e de que forma ele é um zé-ninguém. Um zé-ninguém não sabe que é pequeno e tem medo de saber. Esconde sua insignificância e estreiteza por trás de ilusões de força e grandeza, da força e da grandeza de alguma outra pessoa. Sente orgulho dos seus grandes generais, mas não de si mesmo. Admira uma idéia que não teve, não uma idéia que teve. Quanto menos entender alguma coisa, mais firme é sua crença nela. E, quanto melhor entende uma idéia, menos acreditará nela".

Escute, Zé-Ninguém, de Wilhelm Reich.

Nostalgia

Nostalgia, de Andrei Tarkovski.


Terça-feira, Janeiro 18, 2005


Uma pequena história real (estilo livremente inspirado num blog amigo)

Éramos cinco, Tigresa, Leão, Gatinha, Dino e Peixe. Nem todos se conheciam, mas a maioria se via com freqüência.
Tigresa via Leão todos os dias e via Gatinha e Peixe pelo menos cinco vezes por semana. Tinha uma banda com Leão e Dino, só ensaiavam, nem nome a banda teve.
Leão e Tigresa mantinham seu relacionamento sem muito cabresto. Leão logo se interessou por Gatinha.
Gatinha, que por sua vez já teve um romance com Peixe, estava interessada em Dino, mas acabou se apaixonando por Leão.
Tigresa e Gatinha tinham uma amizade um tanto apaixonada demais, alguém de fora diria que eram atraídas uma pela outra, um caso que nunca saiu do papel.
Tigresa e Peixe se envolveram num caso longo que sobreviveu a uma fuga para fora do país.
Dino brigou com Leão por ciúmes da Gatinha.
Gatinha logo não agüentou mais dividir Leão com Tigresa.
Leão e Tigresa não se agüentaram por muito tempo e se afastaram.
Tigresa continuou com Peixe um tempo depois que já não via mais os outros três, até desistir de tudo e ir catar Caranguejo.


Segunda-feira, Janeiro 17, 2005


E o Coruja se foi...

Uma pequena homenagem ao Bezerra da Silva, que foi cantar em outras paradas na manhã de hoje. Assista ao filme Coruja, um documentário que fala sobre suas composições, seus amigos e sobre o morro que ele amava tanto.
Aqui no documenta .


Domingo, Janeiro 16, 2005


Uma música, um livro, um filme, um gibi

Arnaldo

Encantamento
Ênfase dou ao afeto
Contente com o tente ser feliz
Colecionando selos só porque
Sou louco e gosto de sê-lo assim

Como uma gêmea siamesa
Que uma das cabeças é careta
a outra...
Gosto não se discute

Arnaldo Baptista, Let it bed (um disco imperdível)

Teatro

"O período que passou dando aulas na universidade, logo depois, foi o mais calmo, quando se sentiu melhor, segundo o jornal, 'bastar ler as cartas que mandou para o irmão nessa época', me disse Ana C. na rua. Foi quando se casou com uma professora. O casamento durou seis meses. 'Um pouco menos que o meu', disse Ana C., e sorriu com a mesma expressão irônica da adolescência, que ficava ainda mais contundente no seu rosto de velha, por parecer o último resquício de sua resistência à culpa, embora agora já estivesse mentindo descaradamente."

Teatro, de Bernardo Carvalho

Filme de Amor

Filme de Amor, de Júlio Bressane

Dylan Dog

"A propósito, sabia que é melhor não ter filhos, do que ser pai de um órfão?"
Groucho, em Coelhos Assassinos, Dylan Dog nº 26


Quinta-feira, Janeiro 13, 2005


My ass

Encontrar com pessoas cheias de projetos, com verba para receber do governo, de patrocinadores, ou pagamento por freelas ou coisas afins fez eu me sentir como uma criança bem pequena. Alguém até me perguntou se eu estava na fase anal e agora que eu acabo de sair do banheiro percebo que é exatamente isso. A única coisa que eu sinto como legítimo produto meu é o que eu produzo no banheiro. Minhas fezes. Assim como crianças na fase anal. Só não vou sair por aí mostrando o penico para todo mundo, que eu tenho senso do ridículo, apesar de ser essa a minha vontade.
Cocô é o legítimo produto do meu corpo desajustado por tanto estresse, pelas constantes crises de ansiedade e de insegurança. Não tenho projetos, nem tão pouco contatos, amigos "fabulosos" para me conseguir trampos lucrativos. Nada. Sou apenas um produtora de restos fecais.


Quarta-feira, Janeiro 12, 2005


Aqueles dias

Mal humor do caramba, aqueles dias estão próximos. Uma dor nas pernas, que chegou de repente, se une a minha dor nas costas que surgiu depois de dois meses faltando sistematicamente à ginástica.
Um fiasco. Me concentrar está extremamente cansativo. Escrever é penoso. Meus olhos ardem. As mãos doem. Sei que é hormonal, que vai passar logo, mas estou sem paciência, aliás este é um dos sintomas clássicos.
Ser mulher tem dessas coisas. Não acho ruim, já conheço o processo. Agora que já sou uma balzaquiana, posso dizer que já passei por isso muitas vezes. Só queria um pouco de paz, que tudo desacelerasse para eu me sentir menos irritada. É tão pouco o que peço.


Segunda-feira, Janeiro 10, 2005


Segunda

Acordo e mais uma semana começou. Uma definição de tempo inventada por alguém que se baseou numa descrição religiosa da criação do mundo.
Segunda tem sempre o peso da responsabilidade. Daquilo que você deixou para terminar porque estava morrendo de preguiça. Das contas para pagar. E surge já no fim de domingo, quando alguém comenta que amanhã começa tudo de novo.
É um peso, não tem como fugir. Tem gente que se esforça em gostar. Talvez seja para causar escândalo. Ou porque não faz nada da vida e não faz a menor diferença ser segunda ou qualquer outro dia da semana.
Mais uma segunda. Meu humor não está dos melhores.


Sábado, Janeiro 08, 2005


Buemba, buemba

Este ano começou cheio de promessas. E das boas. Se tudo se confirmar vou para São Paulo pelo menos uma vez por mês. Amigos, me aguardem.
A primeira notícia é a vinda de Iggy Pop ao Brasil depois de mais de quinze anos. O descamisado mais famoso do mundo não virá sozinho, terá a companhia do gracinha Jack White, visto por aqui em 2003 no Tim Festival.
Para quem está na expectativa há um tempão, provavelmente será desta vez que teremos Placebo no Brasil. Depois de pelo menos dois boatos dizendo que os tais estavam chegando por aqui, está praticamente certo que deste mês de abril não passa.
Já não é a primeira vez que ouço este tipo de coisa. Agora é só guardar a grana e esperar.


Quinta-feira, Janeiro 06, 2005


Superstição a parte

O tema é o mesmo do último texto. Fim do ano mexe com a gente, querendo ou não. Se não é por acreditar que algo vai mudar e coisas novas vão acontecer, é por todo mundo desejar um feliz ano novo, simples ato mecânico. Tudo parece girar em torno da meia noite, que onde eu moro rolou uma hora antes de onde eu estava, no Nordeste.
Passar o fim do ano no Nordeste significou novidade em vários sentidos. Encontrar pessoas que eu não via há dois anos, após uma mudança às pressas e numa situação complicada, foi renovador. Primeiro porque pela primeira vez me soltei e fui explícita no que sinto. Sempre fui muito reservada com pessoas com quem não tenho muita intimidade e isso em algum momento foi confundido com songa-monguice. Eu não precisaria dizer, mas faço questão, que julgar alguém pelo seu silêncio é uma songa-monguice.
Segundo porque sair de Brasília era essencial para começar o ano bem. A arquitetura da cidade já estava interferindo na minha maneira de pensar, num consumismo desenfreado, hábito ridículo que acabei adquirindo na cidade.
Apesar da ansiedade monstruosa, tudo correu bem. Até a imprevista conexão em Salvador, que inicialmente seria de meia hora e na verdade foi de quatro horas. Relaxamos e fomos conhecer o Pelourinho, minha primeira vez. Já no clima de ano novo, um baiano amarrou no meu pulso uma fita do Nosso Senhor do Bonfim, que eu pedi que fosse branca. Fiz meu pedido, é claro, e na passagem do ano, já em João Pessoa, participei de um pulo coletivo de sete ondinhas. Eu nem acredito muito nestas coisas, mas para quê brincar com a sorte?