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Segunda-feira, Março 28, 2005


Palmas, mon amour

Visitar Palmas neste fim de semana foi uma experiência calorosa. Primeiramente pela recepção do querido amigo que nos esperava, mas principalmente pelo clima mesmo da cidade: 40 graus numa tarde fresca.
Algo ainda não vivido por mim, uma rápida passagem pela cidade da região norte do país que tem apenas 16 anos de existência. Planejada assim como Brasília, Palmas tem quadras numeradas e setorizadas. Uma praça central, a Praça dos Girassóis, e lembra a praça dos três poderes, com uma esplanadinha das secretarias do estado.
Gostei, achei bonita a cidade que não é monótona aos olhos, pois sua arquitetura não é homogênea como em Brasília.
Na praça onde estão os palácios do Governo e da Justiça, também está instalado o memorial Luís Carlos Prestes, destinado à memória do movimento tenentista brasileiro. Fiquei muito surpresa ao saber que este movimento vai se tornar um marco na existência do caçulinha entre os estados brasileiros. Um monumento representando uma frente de batalha tem esculturas em tamanho natural de soldados sendo mortos, ou matando, e um soldado segurando uma esfarrapada bandeira brasileira.
Em qualquer lugar da cidade é possível ver ou o lago da usina de Lajeado ou o morro que recorta toda a lateral da cidade. Imagens fortes, calor forte, uma praiazinha na beira do lago de uma usina hidrelétrica, que deixa a cidade ainda mais quente. Um passeio interessante nesse Brasil cheio de imagens ainda não vistas.


Segunda-feira, Março 21, 2005


Sobre Lenny I want to get away

A falta de programas nesta cidade nos faz ir a lugares que eu não iria se morasse em outro lugar.
Confuso? Explico:
Fui no show do Lenny Kravitz no último sábado. Show em Brasília, não muito lotado, ameaça de chuva que não se concretizou.
Até aí tudo bem. Muita gente feia na platéia. Um público acostumado a festas de peão e boiadeiro e micaretas, não sabe bem como se comportar num show de rock.
Como se realmente fosse um show de rock: Apagam-se as luzes. Começa a tocar "Assim Falou Zaratustra", aquela música do filme "2001, uma Odisséia no Espaço", a mesma que David Bowie usou para começar sua turnê Ziggy Stardust, em 1972.
Ele entra no palco, a galera grita, ele se sente o gostoso e tal. Começa a tocar e o povo finge estar empolgado, realmente não convence.
O momento máximo do show foi quando ele decide agarrar o guitarrista, numa cena meio homo, meio fake. Seria interessante, se também não tivesse sido plageada no mesmo show do David Bowie, quando o Ziggy agarra o guitarrista Mick Ronson.
Lenny se porta como James Brown quase todo o tempo, mas mesmo assim o espírito do rock não aparece. O primeiro tempo acaba com o hit "I want to get away". Não fiquei para o bis.


Segunda-feira, Março 14, 2005


About Sampa

Saudades da terrinha e um amigo disse: escreve isso no blog. Aí vai:
Vontade de tomar café às 16h, com o céu bem cinza, uns 13 graus.
Comer comida japonesa na feirinha da Liberdade num domingo.
Comprar um vinil na Benedito Calixto.
Ver o quadro da minha vida na Pinacoteca.
Andar no Ibirapuera em plena segunda à tarde.
Comer um pernil no Estadão.
Tomar um chope no Filial.
Outro entre os puteiros da Rua Aurora, no Bar do Léo.
Dançar domingo na Lôca.
Descer a rua Augusta até chegar no teatro municipal.
Comprar uns livros nos sebos da região da São Francisco.
Pegar um festival qualquer no Cinesesc.
Comprar uma blusa na Ouro Fino.
Comer uma pizza sem gosto no BH às 4 da manhã.
Olhar cd na Compact Blue.
Um café de madrugada no Franz perto da Brigadeiro.
Ver meus amigos, que já faz tempo...


Sexta-feira, Março 11, 2005


Me indigno muito com tudo isso

Estava com fome por volta das 23h30. Nada em casa para comer e decidi ir ao Mc Donalds. Por que fiz isso? Me diz.
Primeira reação terrível: meu estômago parou. Fez greve mesmo, não quis mais trabalhar. Fiquei com a barriga super inchada. Quando fui ao banheiro para tentar resolver o problema, levei a caixinha do Mc Lanche Infeliz, que me deixou naquele estado. Encontrei o Woodstock pequeno igual ao grande, recortei a portinha para colocar o Snoop que ganhei de brinde, mais uma volta na embalagem e encontrei um episódio da historinha que está rolando há um tempo. "No episódio de hoje, o Imperador Marciano rouba todos os Mc Lanche Feliz da terra e obriga as crianças a comer a terrível sopa nefarious". As crianças gritam: "não, por favor, não". E uma apenas diz: "eca!". Meu assombro definitivo veio quando vi que o "Imperador Marciano" era um brocolis. Sim, o Mc Donalds está fazendo uma campanha com as crianças contra a alimentação saudável. Impressionante o poder de fogo das figuras.
Dei uma olhada no site da empresa e vi que estão fazendo uma campanha mundial pela vida saudável em parceria com o Comitê Olímpico Internacional, com participação do ginasta Diego Hypólito. Fora a campanha na tv, em que todo mundo acha estranho ter saladas e chás nas lanchonetes.
O efeito Super size me na empresa vai ser direcionado apenas para os adultos. Enquanto isso estão tentando formar uma geração de glutões odiadores de vegetais. É só olhar o cardápio direcionado às crianças. O tal Mc Lanche Infeliz não tem nenhum sanduíche que contenha sequer alface, apenas nuggets, cheese burguer e queijo quente.
Resultado: dormimos os dois com este pesadelo, meu estômago e eu.


Terça-feira, Março 08, 2005


Mais shows internacionais em Brasília

Parece mesmo que a Capital Federal vai perder sua cara constante de cidade do interior nos próximos meses. Daqui a pouco mais de uma semana vai rolar um show do Lenny Kravitz na cidade. Eu nem gosto muito do cara, apesar dele ser bonito e tal, mas acho que vou no show. Não é sempre que esse tipo de coisa acontece por aqui, é bom aproveitar.
Fiquei o fim de semana todo tentando lembrar músicas para cantar junto com o rapaz durante o show. Lembrei umas quatro, a da propaganda de cigarro (era cigarro mesmo?), em que uma galera pula de para-quedas, e três baladas românticas, daquelas para cantar segurando o isqueiro. Já deu para perceber que a diversão não está diretamente relacionada à oportunidade de ver o cara, e coisa e tal.
Já o outro show, esse vai rolar daqui um mês, mais ou menos, vai ser mais emocionante, com certeza. Placebo vem pela primeira vez ao Brasil e passa por aqui. A promessa inicial era a de que o show seria de graça, o que me assustou, pois quase ninguém conhece a banda em BSB e só ia dar boyzinho chato na platéia.
A última notícia que tive é a de que o Placebo se apresentará na Concha Acústica por R$ 30 a inteira. Muito melhor. Se não chover, o show vai ser do caralho. O show do Ira! que rolou lá foi maravilhoso, o lugar é lindo.
As novas são essas. Só espero que não parem por aí. Já nem estou mais reclamando todo dia por não ter nada pra fazer. Tá bom, era um pouco de má vontade também, mas em Brasília sem carro e com tudo fechando antes das duas da manhã, só reclamando mesmo.


Terça-feira, Março 01, 2005


O motivo

A percepção da cidade muda a cada instante. O calor insuportável continua como nos tempos da seca, mas as árvores estão bem verdinhas, muitas flores, de todos os tipos.
Já me sinto um ser adaptado. Anseio pela chuva, aquela incessante que tanto me irritou no ano passado. Ontem ela apareceu, intensa e nervosa, durante todo o dia. Pensei imediatamente no modelito meia estação que usaria hoje para driblar o friozinho que aparece quando chove assim, mas não, o calor continua, menos insuportável hoje. Amanhã provavelmente estará intenso novamente se a chuva não voltar.
De observadora de transeuntes e de congestionamento, me transformo numa observadora da natureza. Não no sentido pejorativo costumeiro, do cara que não tem nada para fazer (pejorativo nos lugares em que não há natureza para observar), mas numa observadora das coisas relevantes para a vida.
Faz parte da vida aqui nesta cidade observar como o clima vai se manifestar, por uma questão logística. Coisa que nunca tinha acontecido comigo antes. Uma experiência muito interessante, para mim, uma nova realidade, talvez a que eu estava buscando quando saí da selva de pedra.