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Sábado, Julho 30, 2005


Sobre ipês

Passeio pela ruas da cidade e vejo ipês roxos (ou rosas) floridos, em alguns as flores já estão caindo. Primeiro sinal da seca veemente que atinge o cerrado no inverno.
Os roxos estão florindo desde o fim de maio. Desde então só houve uma ou duas chuvas fracas. Já estamos há mais de um mês apenas olhando para essas nuvens, que parecem tão perto, mas estão por aqui apenas de passagem, talvez para chover em algum litoral por aí.
No cerrado é assim, quando é seco, é seco, quando chuva, ela cai o tempo todo. O ano se divide, assim, em dois pares de seis meses.
Os próximos a florir serão os ipês brancos, sinalizando que ainda temos um bom pedaço de seca pela frente, nesse tempo o frio começa a ir embora.
Quando acharmos que não vamos mais aguentar tanta poeira e tão pouca humidade, é a vez dos ipês amarelos florirem, como que dizendo: "falta pouco!".
Nesse dia estaremos sedentos por um pouco de chuva, até ela chegar e ficarmos húmidos por outros seis meses. E quando o lodo e o bolor tiverem tomado conta de praticamente tudo, veremos novamente os ipês roxos florirem: "que delícia, a seca está chegando".


Terça-feira, Julho 26, 2005


Estudante de Filosofia (ou Eu Só Sei que Nada Sei)

Eu sei lá se tenho paciência para discutir os assuntos nos quais me proponho a pensar.
Penso em... Penso no... Penso na... Penso nos...
Não penso em nada interessante e tudo o que escrevo no fim não tem importância nenhuma. Só isso.



Agora eu também

Acabo de criar um fotolog. Empolgação de momento, mas até que tenho umas fotos legaizinhas.
Se quiser, dá uma passadinha lá:
documenta (eu e meus olhos grandes)


Segunda-feira, Julho 25, 2005


Fim de noite (duas da manhã em Brasília)



Lindinhos


Bowie e Placebo


Quarta-feira, Julho 20, 2005


Pirenópolis

Fim de semana em Pirenópolis para comemorar dois aniversários. Para quem não sabe, essa cidade foi cenário daquela novela com a Sandy, na Globo. Tem sido cenário constante no cinema nacional também, tem um documentário sobre ela concorrendo em Gramado este ano. A Suzana Amaral também fez um filme lá, "Uma vida em segredo", aliás muito bom (escrevi sobre ele no Facada).
Um frio de rachar quando chegamos na sexta-feira, um bom caldo de mandioca para esquentar e caminha. Bom demais acordar no dia seguinte e dar de cara com uma cidadezinha bem tranqüila, com suas casas coloniais, Piri fez parte do ciclo do ouro no em Goiás, assim como Goiás Velho.
Caminhada pela cidade, visita a igrejas e lojas de artesanato. Por onde se passa é possível avistar uma cabeça de boi. É a fantasia usada nas Cavalhadas, a tradicional festa do divino realizada na cidade, que lembra um duelo medieval. Todas as lojas têm de todos os tamanhos e feitas com todo o tipo de material, acabei comprando um bonequinho com a fantasia para minha coleção de bonecas artesanais. Cabeça vermelha com chifres pretos, roupa preta, com botas e luvas de vinil. Praticamente uma drag cavalhada, assustadoramente atraente.
A principal igreja da cidade foi incendiada assim que cheguei em Brasília, em 2002. Estão fazendo uma tremenda reforma, já está praticamente reconstruída e com novos sinos comprados. A próxima etapa será reconstituir a decoração interna. Por enquanto é possível visitar a obra numa exposição chamada "Canteiro aberto". Vale à pena. Assim como um passeio à noite com a cidade toda iluminada com lampeões.
À noite, como já tinha prometido a mim mesma na primeira vez em que estive na cidade, fomos comer no Bacalhau da Biba (não recebi nada pelo merchandising). Um antiquário com quadros do Volpi, Mestre Valentim, Di Cavalcante, Aldemir Martins... que serve um delicioso bacalhau nas mesas antigas, com pratos, taças e talheres que estão à venda. Um bom vinho e muito estilo. Delicioso.
No último dia não podia faltar a vibe da cachu. Fomos para a mais próxima da cidade, um banho de descarrego, depois uma refeição no restaurante krishna da cidade e casa. O bom de fazer aniversário perto do companheiro é que um presentinho desses vale pros dois.


Terça-feira, Julho 12, 2005


Mudanças

Cada pequena mudança gera em mim uma ansiedade descomunal. Nem mesmo com as minhas quatro doses diárias de ansiodoron tenho conseguido controlar meus impulsos ansiosos.
É assim, eu queria muito trabalhar no período da manhã, quando rola, fico nervosa no processo de adaptação. Uma pressão na boca do estômago todo o tempo.
Decido resolver alguma pendências na minha vida e o processo me deixa ainda mais ansiosa. Sei que preciso concluir tudo o que comecei, mas a vontade agora é de sair correndo.
O impulso é sempre o mesmo. Nas poucas vezes que o segui, me dei mal o bastante para não tentar fugir de novo de minhas pequenas responsabilidades. Muitas das coisas que estou resolvendo agora são pendências das quais fugi há algum tempo.
É assim, a roda gira. O que está em cima fica embaixo e o que estava embaixo, deu para entender. (é, meu aniversário está chegando...)


Quarta-feira, Julho 06, 2005


Novos curtas


Os Idiotas Mesmo

Papá
Papá é um articulado relações públicas que tenta consertar a imagem de seus clientes famosos na mídia promovendo uma elegante festa. Mas ele nunca imaginou que as coisas pudessem fugir de seu controle.

O Problema
Casal de classe média - ele professor universitário, ela socióloga - encontra uma forma original e bem humorada de contornar a rotina sexual do casamento.

Os Idiotas Mesmo
Uma fábrica de cigarros decide lançar uma nova marca de cigarro no mercado, o Relax 3000. Entra em ação uma equipe de publicitários. Milhares de dólares envolvidos, milhares de reuniões, milhares de esporros e um cheiro de merda no ar.

Cheque Mate
Uma verdadeira aula sobre a ecologia do dinheiro, demonstrando o ciclo de vida de um cheque que roda por todas as mãos de uma pequena cidade do interior e desaparece... sem virar dinheiro.

Está Lá? É do Inimigo?
A ironia da guerra como negócio e espectáculo televisivo...

Sinopses extraídas do Porta Curtas


Segunda-feira, Julho 04, 2005


Be VIP or not to be

Todo mundo em algum momento da vida pensou em ser famoso. Ser entrevistado pelo Jô para falar do seu novo projeto.
Brasília é um fenômeno peculiar neste sentido. Funcionários públicos gostam particularmente de presentinhos. Ingressos para shows são seus favoritos. Eu sei porque trabalhei numa assessoria de comunicação que patrocinava essas coisas. Todo mundo tem dinheiro para comprar os ingressos, mas o lance é ir de graça, mostra que se tem influência.
Da mesma forma ir em vernissages e frequentar alas especiais de festivais de cinema. Estar entre as estrelas para se sentir estrela.
É um sonho comum, todos querem ser VIPs. Mas se todos forem VIPs, os VIPs não existirão mais. Ser VIP é para poucos. Ou você é VIP ou não é nada. É isso.

(Texto escrito por um Zé-Ninguém)

Megalomania

Autoramas

Ter dinheiro deve ser muito bom
E o bom mesmo é grana alta
Muita grana para pode gastar
Pra esbanjar sem se preocupar
Também deve ser bom aparecer
Ilha de Caras, pode ser
Ostentação é pra quem pode
Então não vejo por que me esconder
Curtindo a vida adoidado
Do lado de dentro do vidro blindado
É, o preço é alto
Nada mais adequado
Preciso ser alguém
Que outro alguém planeje sequestrar
Megalomania
Tudo o que eu quero é ter o mundo aos meus pés
E nada mais
Tudo tão bonito
Tudo tão brilhante
Os mais bem vestidos
Os mais elegantes
Aqui reunidos com meus semelhantes
Na área VIP a vida é bem mais excitante
... modéstia à parte...


Sexta-feira, Julho 01, 2005


Ao som de Wander Wildner

Pensar no presente, passado e futuro é o que acaba sempre trazendo angústia. Eu, particularmente, fico constantemente ansiosa pensando nessas coisas.
O passado sempre bate na porta, lembrando porque a gente é como é. O futuro empurrando suas incertezas, a sombra do fracasso sempre possível. O presente tentando equilibrar essas forças todas, mas uma noite mal dormida pode ser o suficiente para tudo se misturar.
Tento organizar tudo lendo patrística e escolástica, do meu curso de Filosofia e Existência, mas só encontro certo equilíbrio no guru gaúcho:
"Minha vontade é ser bonito, mas eu não consigo, eu sempre volto atrás.
Sonho em ter cabelo comprido, mas eu não consigo, eu sempre corto mais.
Meu desejo é estar contigo, mas eu não consigo, eu sempre fico em paz"(*)

Certas coisas são do jeito que são e pronto. Como nas tragédias, tentar resolver pode ser a perdição. É preciso aceitar o presente, pois a roda sempre vai girar de novo. O guru conclui:
"Eu vou no ritmo da vida, eu vou no ritmo que a vida me levar. Eu vou andando, eu sigo em frente a caminhar".(*)

(*) "Mantra das Possibilidades" e "No Ritmo da Vida", de Wander Wildner.



Sobre o presente

"Vou tentar amá-la
Como se fosse voltar
Vou acordar no vinho
Com vontade de chorar
Isso é ameaça
De quem pensa em você
Desde que nasceu
Mas o tempo passa
E eu afundei na lingerie
Oh, oh, um navio cheio de loiras
Oh, oh, como eu gosto de lutar
E então numa canção
Vou fazer jamming no altar
E até nos helicópteros
Há essa vontade de voltar
Pro tacape imenso
Pra caça ou para o mar
Vou pescar sua alma e lutar
Dentro da armadura
No cavalo na ilusão
Sentada em seda pura
Dá vontade de matar
Só por seu amor
Esqueço às vezes de Deus
Que rola em sua cama
E se apóia com vagar
Oh, oh, um navio cheio de loiras
Oh, oh, que vontade de matar
E joga-me sua lança
Pro meu medo dissipar
Sinto que romper a carne
É até mais fácil que nadar
Mas o beijo quente
Explode meu sonhar
E acordo em casa às voltas com você".

Tacape, de Arnaldo Baptista