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Domingo, Setembro 25, 2005


Um qualquer

"Depois de empurrar o grande homem para a solidão você se esqueceu do que lhe fez. Apenas disse mais disparates, aplicou mais um golpe sujo, provocou outro ferimento. Você esquece. Ele não planeja a vingança, mas PROCURA ENTENDER POR QUE VOCÊ SE COMPORTA DE MODO TÃO DEPLORÁVEL. Sei que isso também está além do seu alcance, zé-ninguém. Mas acredite em mim: ainda que você o fira inúmeras vezes, que lhe inflija ferimentos que não sarem jamais, mesmo que um instante após seu ato mesquinho você esqueça do que fez, o grande homem sofre no seu lugar pelas iniquidades cometidas por você, não porque são grandes, mas porque são mesquinhas. Ele procura entender o que faz com que você atire lama no marido ou na mulher que decepcionou você, atormente uma criança porque algum vizinho perverso não gosta dela, traia seus amigos, zombe dos generosos, apesar de tentar obter deles o que for possível, e se encolha diante do açoite. Ele tenta entender o que faz você tomar o que é dado, dar o que é lhe exigido, mas nunca dar com espontaneidade e amor; o que o faz pisar nos que estão por baixo ou que estão caindo; mentir em vez de dizer a verdade e perseguir não a mentira, mas a verdade. Zé-ninguém, você está sempre do lado dos perseguidores.
Para conquistar suas graças, zé-ninguém, para ganhar sua amizade desprezível, um grande homem precisaria adaptar-se aos seus modos, dizer o que você quer ouvir, adornar-se com suas virtudes. No entanto ele não seria grande, verdadeiro e simples; ele não seria um grande homem se tivesse suas virtudes, sua linguagem e sua amizade, zé-ninguém. Você não pode deixar de perceber que seus amigos, que dizem o que você quer ouvir, jamais foram grandes homens."

In: Escute, Zé-Ninguém. De Wilhelm Reich


Quarta-feira, Setembro 21, 2005


São Paulo, o retorno

Acordar de manhã, cerca de 15 graus, uma garoinha para refrescar ainda mais. Sair andando por baixo do minhocão e cruzar com um camelô, com a banca repleta de cds piratas, tocando boys don't cry.
Pegar o metrô até a República, cruzar os "cultura racional" na Barão de Itapetininga, comprar o primeiro vinil do Kraftwerk na Zoyd, dar uma olhadinha nas novidades, nas roupas dos freqüentadores da galeria e ir tomar um café com os amigos na Paulista.
Seguir o roteiro das vaquinhas da cowparade por toda a avenida, falando mal (e bem) de Brasília e ficar sabendo das novidades paulistanas: o frio voltou quando você ameaçou que vinha, etc.
Passar a noite no Filial lembrando de alguns dos velhos tempos (bons tempos aqueles). Falar muito da chinesinha de Taiwan que tanto nos apurrinhou. Encontrar amigos queridos, queridíssimos.
Passear pela Luz, num clima retrô, que nos leva a outro século. Ver o lindo quadro que me lembra a infância (com Ashes to Ashes na cabeça). Tomar café com outros queridos.
Passar a noite batendo papo, como num feliz apartamento da Dr. Seng. Encerrar tudo isso com um almocinho no indiano. Delícia. Depois pegar o avião e voltar para o Planalto Central.
O bom de tudo isso é saber que tudo pode se repetir daqui a um mês. Realmente tem coisas que não têm preço.

Fotos nos links no quadro ao lado.


Sexta-feira, Setembro 16, 2005


Os vizinhos, de novo

Há algum tempo falei sobre meus vizinhos, que naquele momento eram novos, e suas estrepulias noturnas. Eles sabem incomodar.
Ficamos sabendo por um outro vizinho (o que jogou o ovo no incidente da roda de violão de madrugada, postado em junho) que não somos os únicos incomodados do prédio. Ninguém gosta deles.
Numa terça-feira à noite a turma voltou com todo o gás e só se ouvia a risada de uma garota histérica ecoando no prédio. Na hora em que já estava todo mundo ficando puto, ouvimos o barulho de uma bombinha, desta bem potentes usadas em festa junina. Só que dentro do prédio.
A bomba foi colocada na frente da porta dos arruaceiros. Um bilhete tinha sido introduzido por baixo da porta um pouco antes da explosão: "isso é só o começo".
Medo. Eu ficaria assombrada. Principalmente sabendo que o autor do bilhete é professor de Jiu-Jitsu e dono de um pitbull enorme.
Mas você pensa que isso intimidou meus nobres vizinhos? Claro que não. Neste fim de semana, precisamente no domingo à meia noite em ponto eles chegam no apartamento. Um com um violão e o outro com uma flauta peruana! É mole. E começam a tocar, num desafino sem fim. Ah, meu ouvido virou penico!
Tem gente que não consegue mesmo viver em sociedade.


Quinta-feira, Setembro 15, 2005


Novos filmes (de novo)

O Lobisomem e o Coronel. Animação. De Ítalo Cajueiro, Elvis K. Figueiredo. 2002 . 10 min. No reino do folclore nordestino só havia uma força maior que a dos coronéis: a fúria sobrenatural dos lobisomens.

Estrada Ficção. De Jorge Furtado. 1995. 17 min. Com Zé Adão Barbosa, Pedro Cardoso, Débora Bloch, Lila Vieira, Fabiano Post, Zé Victor Castiel.

Santa Helena em Os Phantasmas da Botija. Documentário. De Tiago Scorza, Petrônio Lorena. 2004. 18 min. Com Lourival Batista, Raimundo. Santa Helena, Moradores da cidade de Santa Helena-PB.

A Desforra da Titia. Ficção. De Reinaldo Pinheiro, Eduardo Quirino. 1995. 10 min. Com Henrique Stroetter, Cristina Mullens, João Vittae. Quem matava as aulas de religião não precisa mais ficar em recuperação. A catequese erótica de Carlos Zéfiro explica tudo que você sempre quis saber, mas nunca teve coragem de perguntar.

Mindinho Documentário/Ficção. De Bruno Pinaud. 2001. 1 min.

Os curtas podem ser acessados no quadro ao lado


Segunda-feira, Setembro 12, 2005


Um dia...

Um amigo me contou outro dia sua longa jornada amorosa. Ouvi essa música ontem e percebi que são muitos que vivem as mesmas experiências.

Dia Perfeito

Cachorro Grande

Dia perfeito pára na esquina e diz good-bye
Flutua como uma nuvem
She really have a groove

Fina flor e disse você é um amor
E disse algo que me entendia
Era isso que eu sentia

E me falou dos seus romances
Que quando pensa em aprontar ela vai e apronta antes

E eu realmente não creio
Que de fina flor
O cangalho esteja cheio

E me disse esquisitices
E que também vai se guardar para quando o carnaval chegar


Sexta-feira, Setembro 09, 2005


Calminha aí

Lembrança de um gosto novo na boca. Uma saudade imensa de algo que ainda não vivi. Seria essa uma boa descrição da ansiedade.
Vontade louca de tempo para... Nem eu sei bem. Um ritmo mais lento para essa música frenética seria um bom começo. Tempo para respirar, para o coração desacelerar.
A mente não quer mais ser escravizada. O cérebro não quer mais emprestar os seus neurônios, não nessa velocidade e com essa sofreguidão.
Calma, precisamos de tempo para pensar. Lidar com a cabeça dos outros não pode ser assim, tem que ter paciência, se não desgasta. Se não desgosta. Daí, não tem mais jeitinho que dê jeito.


Sexta-feira, Setembro 02, 2005


São Paulo (saudade da terrinha, tô chegando)

365

Tem dias que eu digo não, inverno no meu coração
Meu mundo está em tuas mãos
Frio e garoa na escuridão
Sem São Paulo o meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não
Sem São Paulo o meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não

Tem dias que eu digo não, inverno no meu coração
Meu mundo está em tuas mãos
Frio e garoa na escuridão

Sem São Paulo ôôô o meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não
Sem São Paulo ôôô o meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não

Quem é seu dono? Ninguém, São Paulo
Quem é seu dono? Ninguém, São Paulo

Tem dias que eu digo não, inverno no meu coração
Meu mundo está em tuas mãos
Frio e garoa na escuridão

Sem São Paulo ôôô o meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não
Sem São Paulo ôôô o meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não

Desperta São Paulo
Desperta São Paulo.